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Caos, Borboletas, Tufão
E ele explicava como as coisas funcionam na Teoria do Caos.
E mostrava como o bater de asas de uma borboleta poderia criar um tufão do outro lado da Terra.
E ela o olhava como quem estivesse interessada.
Brilho nos olhos.
Boca semi-aberta, semi-cerrada.
Dentes sem se tocar.
Respiração acelerada.
E o coração lhe sambando o peito.
E eles já não entendiam como as borboletas bateram suas asas e foram parar lá…
Nos estômagos dos dois.
(Talvez eles as tenham comido).
Tem Lógica Sim!
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Porto Seguro, Piscina, Brigadeiro
A vida é como navegar.
Sim, navegar em mares abertos, desconhecidos, profundos, calmos ou tortuosos.
Às vezes calmos, às vezes tortuosos.
Dias de porto, com aqueles que nos são preciosos ao lado.
Dias de mar piscina e céu de brigadeiro.
Dias de chuva e raios rasgando o ar ao redor, deixando nada além de eletricidade e adrenalina sobre nossas cabeças.
Imagino qual seria a metáfora para a vida na época das grandes navegações…
Viver é levantar as velas, olhar ao horizonte e ir buscá-lo.
É zarpar e deixar pra trás o que nos é seguro e lançarmos-nos ao desconhecido azul.
Há alguns anos, a metáfora regente vem sendo a escuridão do espaço.
Não sei qual exatamente é a melhor ou se alguma das duas transcreve a vida como ela é.
Acho que nada, além da mesma, pode explicá-la, mas estou aqui tentando assim mesmo.
Prepotência.
Alguns de nós vivem como os aventureiros.
Alguns são descobridores.
Colonizadores.
Pesquisadores.
Coronéis do Mar, comandantes de grandes naus.
Turistas.
E até piratas.
Se você quer ser um pirata, aliás, seja-o.
Eu tenho um porto pra voltar.
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Cavalo, Relógio, Ancestrais
Poucos sabem da verdade, então vou contar para vocês.
Diz a lenda, entre os cavalos, que a humanidade não passa de uma espécie de aproveitadores.
Bem, isso todos nós sabemos.
Somos mesmo.
O problema dos cavalos, coitados, era o motivo pelo qual eles foram usados por nós, todo esse tempo.
Rodeios?
Não. Isso não passa de luxo para os equinos.
Diversão pura poder derrubar um humano sujo de suas costas e pisoteá-lo.
Merecem, até.
Assim como outros grandes erros da humanidade, a escravidão de cavalos começou cedo e demorou a terminar.
Até hoje o erro persiste em diversos lugares do globo.
Os cavalos mais sábios contam aos mais jovens a sua história.
Os humanos os utilizavam, acima de tudo, para caçar.
Mas não uma caça normal. Era uma questão de ego.
A velocidade dos ancestrais quadrúpedes era usada para caçar o tempo.
Quando o homem achou que o alcançou, inventou o relógio.
Os cavalos descobriram tudo, se rebelaram e…
Bem, o homem teve que inventar o automóvel.
Porque cavalo mais algum seria prepotente a esse ponto.
“Não cometamos o erro de tentar dominar o tempo. Nem o pecado de ignorá-lo”.
Tem Lógica Sim!
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Amor, Rosa, Plástico
Amor é aquela única pipoca crocante, dentre as tantas murchas que nossas mãos encontram no caminho até o final do saco plástico cor-de-rosa.
Vale a pena o esforço.
O tempo gasto.
Os quilos a mais.
Tem Lógica Sim!
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Sangue, Ouro, Copo
“E, depois de brutalmente rasgar-lhe a pele, derramei seu sangue dourado em meu copo.
É o que me satisfez a sede naquele dia quente, no ar seco, na boca arenosa.
Apertei-lhe e esperei até que a última gota de suco venoso caísse, vagarosa, em minha língua, para degustar-lhe lentamente.
O frescor descendo-me a garganta, o calor subindo-me à cabeça.
Foi assim que te desejei, te encontrei, metálica, e que te usei, abusei e joguei sua carcaça fora.
‘Nada que é externo perdurará’, já diz o ditado.
Arranquei-lhe um pedaço para recordar. Um pequeno pedaço daquele corpo que jazia imóvel, jogado na grama, pronto para ser carregado.
E amassado.
E reciclado.”
Fiquei estupefato enquanto ouvia isso da boca de um amigo.
“A melhor Heineken que já tomei”, completou.
Tem Lógica Sim!
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Salgadinhos, Toddy, Farsa
Publicidade é do mau.
Saiba disso, sempre.
As mentiras são contatas por aí e são ditas tantas e tantas vezes, repetindo-se, perpetuando-se…
Até que viram verdades.
Os pobres coitadinhos, vendidos como escravos e objetos, criaram até um grupo de apoio. Para se apoiarem.
É pra isso que servem os grupos de apoio, certo?
Algo assim…
Divaguei, onde estava?
Ah sim, os enganados, farsantes sem culpa.
Sabe o que é nascer e, logo, ser transformado em algo para ser vendido?
É o drama do Cheetos, por exemplo.
Mero pedaço de isopor, nascido, cortado em pequenos pedacinhos, moldado, pintado de laranja cheddar, ensacado com seus irmãos, vendido, comido…
Chora horas todas as sessões do grupo.
E o Nescau, então?
Está na terapia. Depressão profunda.
“Açúcar marrom, mas não mascavo! Açúcar tingido! Não chega aos pés do Toddy…”
…
Bem, essa é verdade…
Não chega mesmo.
Tem lógica sim!
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Assassinato, Carro, Álcool
Hoje realmente não era o dia que eu saíria de casa.
Talvez tenha sido bom assim, aliás.
Vai que eu sou assassinado na rua.
Ou atropelado.
Ou morto por um carro.
Porque são coisas diferentes, né…
Você pode ser assassinado por um ser humano.
Pode morrer atropelado por um carro dirigido por um ser humano.
Ou um carro pode lhe perseguir e lhe matar, sem ninguém no volante.
Os carros, ultimamente, têm estado fora de controle, você deve imaginar…
Afinal, de quem foi mesmo a ideia de fazer um carro que funciona à álcool?!
Tem lógica sim! (Ou não)
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Banho, Lasagna e SP
Ser uma lasagna é difícil.
Assim como a maioria dos alimentos, você já nasce exata e exclusivamente para ser devorado.
Para alguns deles, é altruísmo.
Sacrifício para o bem do próximo.
Vai entender…
Mas ser uma lasagna é mais difícil por uma questão particular: O molho.
Macarrões vivem a vida em preto e branco.
Vermelho e branco, aliás.
8 ou 80. Nada de molho, ou nadando nele.
Mas as lasagnas, não.
E, dependendo de onde você for feita e servida e, portanto, comida, senhorita Lasagna, a quantidade de molho é uma questão extremamente importante.
Veja bem, o problema é a umidade no ar. Ou a falta de.
Em São Paulo, uma lasagna tem que ser sempre feita com mais molho, pra compensar.
Em Santos, precisa-se de menos molho.
Ou você afoga a coitada da lasagna num banho de molho antes mesmo dela nascer.
Ok, mãe? Entendeu? Fica a dica…
Tem Lógica Sim!
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Marshmallow, Fome, Frio
“Clichê”, vocês devem estar pensando.
Galera agrupada num acampamento longe das luzes e da poluição (ou não) da cidade.
Cabanas, sacos de dormir, possivelmente até escoteiros, fogueira, galhos, marshmallows e…
Bem, não era nada isso.
Ou era, mas não desse ponto de vista.
Você já viu uma festa de marshmallows?
Eles são como baianos descendentes de italianos.
Sim, existem italianos que foram para a Bahia e tiveram filhos, criaram famílias ítalo-macumbeiras e tudo o mais.
Não, nem todo baiano é macumbeiro. Mas conhece alguém que seja, a meu ver.
Uma algazarra só!
E a festa NUNCA está completa se não for praticada dentro de um saco plástico, fechado.
“Comoassimnumsacoplástic…?!” Cultura mashmalliana, não tenha preconceito, caro leitor.
Estavam todos lá, felizes, contentes, quentinhos… Até que aconteceu.
O crime mais criminoso (sim, crimes podem ser, além de ilegais, criminosos) que já presenciei.
Mãos de um gigante invadiram a comemoração. Rasgaram seu lacre sem aviso prévio. Um despejo sem direitos humanistas.
O frio que fazia fora paralisou os pobres docinhos fofinhos.
E homens, mulheres, crianças, idosos e até seus animais de estimação! Todos! Todos empalados, um a um, e jogados ao fogo. Como Joana D’arc, mas sem roupas.
Eu imagino que ela tenha sido queimada viva com roupas, pelo respeito.
Mas já é falta de respeito queimar alguém. Ainda mais vivo… Então não sei se as roupas fazem alguma diferença. Pra quem queima e pra quem é queimado.
Seja como for, os pequenos marshmallows foram mortos.
Em pleno chá de bebê.
É, voltei pro clichê.
Tem lógica sim!
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Vaca, Caminhão, Waffles
Havia uma vaca dirigindo um caminhão de waffles.
Não um caminhão de waffles qualquer, mas um de entregas.
Sim, existe um caminhão que entrega waffles.
Você deve estar se perguntando qual o número de telefone para poder fazer um pedido aí em sua casa, mas a questão não é exatamente essa.
Eu, que sou uma pessoa treinada para analisar esse tipo de situação, percebi outra coisa estranha além do momento “Ei, como assim eu não tenho o telefone de entregas de waffles?”.
A vaca estava dirigindo um caminhão.
Todo mundo sabe que vacas jamais seriam aceitas pela sociedade, se dirigissem caminhões (apesar de sempre marcarem pontos mais altos que os humanos nos exames psicotécnicos).
Mas mais importante do que verificar a carteira de habilitação da cidadã bovina: Por que ela estava dirigindo o caminhão?
Bem, isso é simples!
O dono (dela, vaca e dele, caminhão) não podia.
Provavelmente estava doente e pediu para a vaca fazer o serviço nesse dia.
Até porque, não vemos muitas vacas (leia os motivos acima) dirigindo caminhões, senão por favores a seus donos, hoje em dia.
Vendo por esse lado, podemos chegar a algumas conclusões lógicas:
O dono da vaca, por ser também o dono do caminhão, deve ser dono também de uma fábrica de waffles, ainda que deveras caseira.
Afinal, se ele tem uma vaca e entrega waffles, imagino que ele também os produza.
Mas, para isso, ele precisaria também de farinha e ovos.
Logo, ele possui, além da vaca, do caminhão, do serviço de entrega e produção de waffles, galinhas e uma plantação de trigo.
Sendo assim, ele provavelmente é fazendeiro.
Levando em conta que, o agora também fazendeiro, não pediu para as galinhas (nem o trigo) o substituírem no serviço de entrega dos waffles produzidos em sua fazenda, pode-se, então, entender que a vaca é mais amiga dele do que todos os outros bens que ele possui.
Ou então os waffles se entregariam sozinhos, né?!
Tem lógica sim!